VACANCE(S) n. f, dérivé de vacant « oisif ».
VACANT, ANTE adj. est un emprunt (1207) au latin classique vacans, participe présent de vacare « être vide », d’où « être vacant, libre », puis « avoir du temps pour »; vacat signifie à l’époque impériale « il y a temps pour », « il est loisible de » (« vaquer »).
[Dictionnaire historique de la langue française, Le Robert]
_________________________________________________
Selon Kafka: « Oubli de moi-même pendant quelques jours. »

Illustration: « Reflecting holidays », photographie de Francesco Candidi.

  1. Paulo Milhomens says:

    Carta a Muriel Barbery

    Não poderia, minha cara, imaginar seu quadro como uma Gioconda. Vejo sua foto e não concentro-me na matéria. É pura filosofia. Uma figura emblemática: uma boa poesia inventada. Fiquei extremamente feliz quando vi – melhor, a vi – com uma parte de sua face encoberta por sombras verdes de um ensolarado verão em Paris VII – será que leciona por lá?

    És familiar, doce. Sei de sua prepotência, de seu vigor femmale, suas insígnias. Leio o artigo sobre seu livro. Vou comprar o seu livro. Vou ler o seu livro. Vou pintar o seu romance… Vou escrever-lhe esta carta. Não sei quando poderá chegar até você. Talvez não leia. Acredito que possa ser um bom motivo para tornar-me romântico, continuar a sê-lo. Não é interessante que eu continue a escrever-lhe assim. De todo modo, dedicatórias só são lidas há muitos tempos passados… Sei de suas qualidades.

    Atenho-me em seu olhar. Pequenas frestas solares banham sua face, ombros e braços sob a vestimenta vermelho-laranja de tua roupa. Singular, tímida, liberal, enigmática, introspectiva. Capaz de um humor arrebatador. Não quero elogiar-lhe: impossível não fazê-lo.

    Agora, trata-se de uma obrigação. A imagem que sempre irei guardar em seus olhos talvez seja a da elegância, não sei se lascívia, mas como que um ouriço a esconder sementes…

    Ao fundo da fotografia, vejo uma praça. Imagino que este local está acostumado com sua presença. Outra bela fotografia seria ver-te com um livro. És parisiense? Penso que reside nesta cidade há muito tempo.

    Quatro leves dedos aparecem sobre (escondestes o polegar) a manga da camisa. Passava por quatro leves dias tristes até encontrar a imagem: falava de seu novo livro. De qualquer forma, terei de lê-lo.

    Estou incubido de ler seu romance. A propósito, meu nome é Mathieu. Prazer todo meu. Agora começo a falar-lhe e não sei onde isso irá terminar… Talvez logo, talvez nunca… Seria muito chato se pudéssemos prever as coisas, não é mesmo?

    Sabe, essa carta pode até se tornar um conto, ou uma pequena crônica. Mas sabe, prefiro fugir dessas obrigações… Uma carta é uma carta (não importa como nem pra quê) e isso é o que interessa.

    Pode ser que tenha feito de seus olhos pequenos um grande pretexto para escrever-lhe – são verdes, azuis ou ambos? Por causa da sombra das folhas do referido bosque que costumas ler, não dá pra saber… Dou risadas leves, penso em fazer da carta um poema. Mas não vou dizer ainda o porquê(s). Tudo nestas linhas não pode ser óbvio. É muito bom não ter essa pretensão…

    … Esplêndida razão, demônio claro do cacho absoluto, do reto meio-dia, aqui estamos ao fim, sem solidão e sós, longe do desvario da cidade selvagem.
    Neruda

Répondre à Paulo Milhomens Annuler la réponse.

Patrick Corneau